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| Volume 3, Número 4, Julho de 2006 | |
| Editorial | |
| As redações precisam retomar sua autonomia | |
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As redações dos nossos principais veículos estão sendo, gradativamente, assaltadas pelos interesses comerciais e políticos e exibem, ostensivamente, sinais de fraqueza. As pautas originam-se sobretudo de fora das redações e a independência editorial vê-se fatalmente comprometida. Os departamentos comerciais passam a desfrutar de privilégios e influenciam de maneira nociva a linha editorial. Os jornais já não são como antes. A observação não é gratuita. Temos assistido
a esta investida todos os dias e ela contribui para tornar os nossos
veículos cada vez mais distantes da sociedade. O jornalismo brasileiro, com as exceções de praxe, vem perdendo a sua capacidade investigativa e se tornado refém de pautas geradas por agências de comunicação e assessorias de imprensa, realmente competentes, muitas delas a serviço de interesses inconfessáveis, como os que são associados a determinados representantes da indústria da saúde, da indústria agroquímica, de governos etc. Nota-se, também, o crescimento da relação promíscua entre repórteres/ colunistas e agências (às vezes, deles próprios), que, continuamente, favorecem os seus clientes (as denúncias neste sentido têm crescido bastante) e, em particular, a explosão de "projetos de mercado" e dos nefastos "publieditoriais", propaganda travestida de matéria jornalística. O jornalismo brasileiro vai se tornando numa atividade burocrática, um mero balcão de negócios como qualquer outro, completamente desvinculado de seu compromisso com o interesse público. Alheios a esta questão, sindicatos e federações continuam brigando pela regulamentação profissional, estudiosos do Jornalismo sinalizam para os crescimento dos blogs como ameaça real aos veículos e jornalistas, sem se darem conta de que o inimigo está dormindo ao lado. As redações precisam recuperar a sua autonomia, a sua dignidade, a sua independência. Os veículos, que tanto se esmeram em denunciar os abusos dos outros, precisam olhar para o próprio umbigo. A notícia, qualificada, independente dos grandes interesses, continua sendo a matéria prima mais valiosa. Degradá-la é apostar contra o futuro. Quem viver, verá.
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