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| Volume 3, Número 4, Julho de 2006 | |
| Notícias | |
| HP viola sigilo de jornalistas. Falta de ética causa má impressão | |
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O mundo corporativo, apesar do discurso, continua dando péssimo
exemplo. Desta vez foi a HP (Hewlett- Packard) quem avançou o
sinal, ao violar o sigilo telefônico de nove jornalistas que cobriam
a empresa. Pega no flagra, a HP tentou desconversar, usando o argumento de sempre: foi a empresa terceirzada(dos investigadores) quem cometeu o deslize, sem o seu conhecimento, o que, ao que parece, não convenceu nem os jornalistas, nem a Justiça e muito menos a sociedade. A HP está preocupada porque assuntos discutidos em reunião de Conselho têm chegado à mídia e resolveu partir para o ataque. A estratégia utilizada foi absolutamente inadequada, ilegal e compromete a imagem da empresa. Talvez agora ela se dê conta de que afrontar a ética causa má impressão. "Fale conosco", um serviço que não anda bem das pernas Pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest, no primeiro semestre deste ano, comprovou o que a maioria dos internautas já vem percebendo por experiência própria: o "Fale Conosco", comum nos sites das organizações brasileiras, não funciona na maioria dos casos. Isso significa que esta alternativa de interação entre os cidadãos (em geral enquanto consumidores) e as organizações continua sendo mal planejada e não cumpre os seus objetivos. A coluna Defesa do Consumidor do jornal O Globo resolveu conferir. Analisou este serviço em 14 sites e chegou a mesma conclusão: os internautas têm razão de reclamar. Embora existam serviços adequados, o tempo de espera e a qualidade das respostas deixam a desejar. Afinal de contas, no mundo da Internet, aguardar um dia inteiro (a Fiat e o Bradesco demoraram dois dias e a Unimed/Rio quatro dias para responder) para atender à solicitação do internauta é sinal de incompetência. O erro mais comum na pesquisa do Jornal foi, no entanto, indicar um outro canal para a obtenção das informações desejadas, ou seja, o "fale conosco" da Web remete o interessado para outro local, não completando a interação. A Ford, o Bradesco e a Sul-América fizeram isso, ou seja, o "fale conosco" delas não fala. Os serviços disponíveis na Web devem adaptar-se à cultura online, ser competentes, ágeis, interativos. Se não é para ser assim, seria melhor que as empresas não preparadas para os novos tempos os desativassem. Mau atendimento afeta a imagem. Ou não? Os jornalistas estão sob ameaça de extinção? O 6º Congresso Brasileiro de Jornais, que terminou em setembro em São Paulo, apontou para uma realidade insofismável: os jornais, com o advento das novas tecnologias, já não são o mesmo e os jornalistas que se cuidem: os blogs e os chamados repórteres-cidadãos representam uma ameaça efetiva. Enquanto os sindicatos continuam brigando pela consolidação da profissão (que sentido terá o diploma neste novo cenário?), alguns veículos andam se antecipando e começam a utilizar os leitores no seu sistema de produção. No evento, o jornal espanhol El Correo relatou a sua experiência, com a criação de duas páginas feitas inteiramente pelos leitores e houve relatos de outras experiências semelhantes (na Coréia, há um jornal totalmente feito pelos leitores), inclusive no Brasil. O Grupo Estado trouxe o seu projeto FotoRepórter que abre espaço , nas suas publicações, para imagens feitas por fotógrafos amadores. O FotoRepórter, em apenas 10 meses de vida, já recebeu mais de 15000 fotos de mais de 6.500 fotógrafos, dos quais 70 de outros países. É claro que os jornais não estão imaginando uma situação radical: entregar o seu espaço às pessoas de fora, mas já cogitam em interagir mais com os leitores, abrindo espaço não apenas para as suas sugestões, mas para as suas produções próprias. Os jornalistas não estão ameçados de extinção, pelo menos por enquanto. Se, no entanto, a investida dos departamentos comerciais sobre as redações continuar no ritmo em que estão, certamente os jornalistas perderão sua independência e seus privilégios. Urge resistir.
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